Faltando um dia para J.C. Completar seus 80 anos...
Sentado em uma cadeira na varanda do seu apartamento, com uma vista linda para a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, J.C. relembra alguns fatos de sua vida.
Ele ouve sua esposa falando ao telefone com seu filho mais velho confirmando a presença no grande dia de festa para comemorar os seus 80 anos, ela coloca em viva-voz, pois está preparando algumas guloseimas para seus netos, já na fase da adolescência.
Ele percebe a alegria e lembra de alguns fatos que aconteceram em sua vida; do nascimento de cada um dos seus filhos, do dia do seu casamento, mas, de repente quando seus olhos encontram com o iluminar daquela árvore solitária no meio da lagoa, se inundam com lágrimas de lembranças, de um dezembro, em especial, o dezembro de 2007, quando estava lá embaixo à beirada daquela lagoa ao lado de uma mulher que nunca mais viu, aquela mulher que ainda lhe faz lembrar de como era feliz, o mesmo que não encontra no olhar da mulher a quem escolheu para viver ao seu lado.
Ele lembra dos momentos que passaram juntos, das noites intensas e de carinho,
dos suspiros que ele tinha quando ela o colocava em seus braços e de cada emoção que viveu em tão pouco tempo ao lado dessa mulher, momentos que em todo amanhecer, voltavam em seus pensamentos, pensamentos os quais ele por inúmeras vezes tentou arrancar não só das lembranças, mas também do seu coração.
Ele deixa as lágrimas rolarem em seu rosto, porém de forma sutil para que sua esposa não perceba e fique triste, pois ela sempre soube que por maior que fosse o amor dele por ela, nunca se compararia o quanto ele amou aquela mulher do seu passado, o brilho que ele tinha no olhar nunca mais foi o mesmo.
Ele imagina como teria sido se tivesse sido corajoso, enfrentando à todos e colocado o seu coração acima de toda razão, se tivesse lutado com todas as forças contra seu orgulho e reconhecido o quanto a tinha feito sofrer, se tivesse jogado tudo para o ar, como no dia o qual teve vontade de beijá-la pela primeira vez.
Ah! Se eu tivesse vencido meu orgulho quando encontrei-me com ela para pegar meu CD da Roxette , e ter tido coragem para contar tudo o que levava em meu coração e, tê-la arrebatado com um demorado beijo.
Como estaríamos hoje, ela estaria aqui na varanda ao meu lado segurando minha mão, relembrando junto comigo estes momentos eternos.
Eu poderia não estar sentindo as lágrimas rolando em meu rosto agora, e não teria esse aperto no meu coração. Poderia eu, estar sorrindo como todas às vezes.
Será que ela hoje é uma estrela, ou será que neste momento está lembrando de mim,
será que o seu coração ainda lembra que amanhã é meu aniversário?
Como eu queria que o tempo voltasse naquele inicio de 2009 o qual eu não tive coragem de expor o que meu coração desejava, aquela vontade que durou meses, se eu tivesse deixado as coisas do passado no passado e visto que as coisas que aconteceram foram conseqüências dos meus atos. Presenciei uma parte da história da vida dela, fui amigo, vi o quanto ela sofreu quando nos separamos, e me fiz duro, não fui homem para pedir desculpas, não tive coragem de um último adeus.
Meu Deus! Como eu tratei alguém que amei tão mal, ignorando-a, achando que seus sentimentos não eram reais, era coisa passageira e banal, como pude ser tão tolo e duvidar da dor que ela sentiu, talvez tenha sido maior do que a que estou sentindo hoje ou tão igual.
Hoje, é tarde demais, tenho que secar minhas lágrimas, tentar sorrir, afinal, não quero que minha esposa veja que mais uma vez estou entediado, preciso fazer com que isso não transpareça em meu rosto, o hoje (futuro), foi minha escolha, preciso aceitar.
E foi assim...
No dia seguinte J.C. pôde junto a sua família comemorar seus 80 anos com festa, mas em seu coração ainda tinha um vazio e a dúvida de como teria sido se um dia ele tivesse tido coragem de dar uma chance a sua própria felicidade.
"Não espere que a felicidade bata à sua porta, aproveite a oportunidade que ela te da hoje."
Re Aquino
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