O
motorista do ônibus entra na estradinha de terra e areia, levantando um
pouco de poeira, pois o dia tinha sido de sol e muito calor. O ônibus
para, Joaquim desce avistando sua mãe no pequeno portão de madeira que
ficava na cerca de trás junto a um jardim com várias flores coloridas e
plantas rasteiras. Joaquim corre para sua mãe, acena para os coleguinhas
que ficaram no ônibus e segura a mão de sua mãe e juntos caminham até a
porta da cozinha.
O menino mais
que depressa pergunta sua mãe se ela havia feito bolo, sua mãe balança a
cabeça com um lindo sorriso afirmando, com um leve tapinha em seu
bumbum o manda lavar as mãos. Ele corre para o banheiro, troca sua
roupa, lava suas mãos e se olha no espelho pensando que falta pouco para
seu pai chegar em casa para brincar com ele.
O
menino desce as escadas cantarolando, senta-se a mesa e sua mãe fala
que o bolo é o que ele mais gosta, bolo de formiga. Ele sorrir e viaja
em sua imaginação, visualizando o bolo em cima da mesa e várias
formiguinhas marchando em direção ao bolo, entrando em seus furinhos e
virando pequenos pedaços de chocolates. Sua mãe parte uma fatia e leva
até o pratinho que está em uma das mãos de Joaquim, mas enquanto a fatia
se aproximava do pratinho algumas migalhas caem pela mesa e o menino
com seus dedinhos pequenos e roliços catam as pequenas migalhas e de
pouco em pouco as coloca em sua boca.
Joaquim
se apressa em comer, pois sabia que faltava pouco para a brincadeira
começar. O menino ouve o portão da garagem fazendo aquele barulho de
enferrujado. Joaquim logo se levanta com a sobra do bolo em sua mão e
corre para fora.
Seu pai logo pega
as duas espadas de brinquedo que estavam no canto da varandinha, pois
Joaquim adorava bater espadas, sentia-se um príncipe a matar o dragão do
penhasco encantado. Os dois seguiram brincando até chegar próximo a um
penhasco que tinha uma vista linda para o mar, onde tinha uma caverna
que descia até o mar, era muito perigoso, pois a maré subia e enchia boa
parte, e quando o mar estava muito agitado as ondas entravam por sua
fenda empurrando o ar até a saída da caverna emitindo um som parecido
com um gruído de um animal muito grande, por esse motivo essa caverna
tinha o nome de O Dragão do Penhasco.
Sempre
ao chegar perto da caverna o menino pedia a seu pai para derrotar
aquele Dragão e seu pai dizia que era impossível porque até aquele dia
ninguém havia conseguido.
Seus
pais sempre mantinham acesa a fantasia em Joaquim, achavam que era muito
novo para participar de toda a realidade do mundo adulto e com isso
dentro deles também existia aquela infância que nunca seria roubada.
Os
dois retornaram para casa, por já está anoitecendo, mas não podiam
perder aquele lindo por- do- sol, que avistavam daquele penhasco mágico.
Logo chegaram em casa e foram se preparar para saborear o jantar que sua mãe havia preparado com todo carinho.
Isso se repetia todos os dias, a mesma rotina, mas que para aquela família se diferenciava a cada momento.
Um
dia o menino que esperava o pai ansioso para brincar, teve que se
divertir sozinho, pois o pai ficaria preso no trabalho até mais tarde,
pois um amigo teria adoecido, e por isso precisaria então adiantar as
tarefas para o dia seguinte. Joaquim pediu para brincar sozinho, sua mãe
o recomendou ficar até o limite do alcance dos seus olhos, que seria
até o final do gramado de seu quintal. Mas nesse dia o tempo estava
nublado, possível de tempestade. O menino começou a brincar, sua mãe
sentada na varandinha observando a alegria e junto sendo feliz por ter
uma família maravilhosa. O telefone toca e ela precisa atender, logo
fica entretida com sua mãe contando que sua cadelinha tinha tido 5
filhotes, seria boa hora para Joaquim ter a responsabilidade de um outro
ser em sua dependência – pensou sua mãe. Enquanto isso o menino ainda
lá fora brincando com o vento, foi se distanciando, até que começou a
ouvir aquele dragão gruindo fortemente, ele para, seus bracinhos se
arriam, ele fica estático por alguns milésimos de segundo e cada vez
aquele gruído ficava mais forte. O menino com a espada em uma das mãos,
caminha lentamente na direção da caverna, ele fica hipnotizado, com sua
imaginação “a mil”. Quando chegou ao limite máximo permitido por seu pai
e o vento já soprando em seus cabelos, ele ergue uma de suas mãos
ficando no aguardo da saída daquele dragão monstruoso, como o dragão não
saía o menino resolveu ser o bravo e mesmo inseguro, ele, passo a passo
caminha para a entrada caverna. O vento ficava mais forte e seus
olhinhos já estavam úmidos das gotículas das ondas, até que ele entra.
De repente um grito corta o gruído e o menino é segurado firmemente em
seu braço por sua mãe. Ela ajoelha e o abraça bem apertado e com muito
carinho, ele apenas diz: - Mamãe eu só queria matar o dragão, quem sabe
mamãe ele nem é tão mau assim, pois ele só faz barulho e nunca saí para
nos atacar, será que ele não quer ser meu amigo? Sua mãe o pega no colo e
voltam para casa.
Os
pais de Joaquim entendem que por mais que a infância seja perfeita, tem
um momento em que a realidade é necessária, mesmo que amadureça os
sonhos, a imaginação e a fantasia.
Re Aquino

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