quinta-feira, 1 de maio de 2014

Joaquim e o Dragão


   


O motorista do ônibus entra na estradinha de terra e areia, levantando um pouco de poeira, pois o dia tinha sido de sol e muito calor. O ônibus para, Joaquim desce avistando sua mãe no pequeno portão de madeira que ficava na cerca de trás junto a um jardim com várias flores coloridas e plantas rasteiras. Joaquim corre para sua mãe, acena para os coleguinhas que ficaram no ônibus e segura a mão de sua mãe e juntos caminham até a porta da cozinha. 
O menino mais que depressa pergunta sua mãe se ela havia feito bolo, sua mãe balança a cabeça com um lindo sorriso afirmando, com um leve tapinha em seu bumbum o manda lavar as mãos. Ele corre para o banheiro, troca sua roupa, lava suas mãos e se olha no espelho pensando que falta pouco para seu pai chegar em casa para brincar com ele.
O menino desce as escadas cantarolando, senta-se a mesa e sua mãe fala que o bolo é o que ele mais gosta, bolo de formiga. Ele sorrir e viaja em sua imaginação, visualizando o bolo em cima da mesa e várias formiguinhas marchando em direção ao bolo, entrando em seus furinhos e virando pequenos pedaços de chocolates. Sua mãe parte uma fatia e leva até o pratinho que está em uma das mãos de Joaquim, mas enquanto a fatia se aproximava do pratinho algumas migalhas caem pela mesa e o menino com seus dedinhos pequenos e roliços catam as pequenas migalhas e de pouco em pouco as coloca em sua boca. 
Joaquim se apressa em comer, pois sabia que faltava pouco para a brincadeira começar. O menino ouve o portão da garagem fazendo aquele barulho de enferrujado. Joaquim logo se levanta com a sobra do bolo em sua mão e corre para fora.
Seu pai logo pega as duas espadas de brinquedo que estavam no canto da varandinha, pois Joaquim adorava bater espadas, sentia-se um príncipe a matar o dragão do penhasco encantado. Os dois seguiram brincando até chegar próximo a um penhasco que tinha uma vista linda para o mar, onde tinha uma caverna que descia até o mar, era muito perigoso, pois a maré subia e enchia boa parte, e quando o mar estava muito agitado as ondas entravam por sua fenda empurrando o ar até a saída da caverna emitindo um som parecido com um gruído de um animal muito grande, por esse motivo essa caverna tinha o nome de O Dragão do Penhasco.
Sempre ao chegar perto da caverna o menino pedia a seu pai para derrotar aquele Dragão e seu pai dizia que era impossível porque até aquele dia ninguém havia conseguido.
Seus pais sempre mantinham acesa a fantasia em Joaquim, achavam que era muito novo para participar de toda a realidade do mundo adulto e com isso dentro deles também existia aquela infância que nunca seria roubada.
Os dois retornaram para casa, por já está anoitecendo, mas não podiam perder aquele lindo por- do- sol, que avistavam daquele penhasco mágico.
Logo chegaram em casa e foram se preparar para saborear o jantar que sua mãe havia preparado com todo carinho.
Isso se repetia todos os dias, a mesma rotina, mas que para aquela família se diferenciava a cada momento.
Um dia o menino que esperava o pai ansioso para brincar, teve que se divertir sozinho, pois o pai ficaria preso no trabalho até mais tarde, pois um amigo teria adoecido, e por isso precisaria então adiantar as tarefas para o dia seguinte. Joaquim pediu para brincar sozinho, sua mãe o recomendou ficar até o limite do alcance dos seus olhos, que seria até o final do gramado de seu quintal. Mas nesse dia o tempo estava nublado, possível de tempestade. O menino começou a brincar, sua mãe sentada na varandinha observando a alegria e junto sendo feliz por ter uma família maravilhosa. O telefone toca e ela precisa atender, logo fica entretida com sua mãe contando que sua cadelinha tinha tido 5 filhotes, seria boa hora para Joaquim ter a responsabilidade de um outro ser em sua dependência – pensou sua mãe. Enquanto isso o menino ainda lá fora brincando com o vento, foi se distanciando, até que começou a ouvir aquele dragão gruindo fortemente, ele para, seus bracinhos se arriam, ele fica estático por alguns milésimos de segundo e cada vez aquele gruído ficava mais forte. O menino com a espada em uma das mãos, caminha lentamente na direção da caverna, ele fica hipnotizado, com sua imaginação “a mil”. Quando chegou ao limite máximo permitido por seu pai e o vento já soprando em seus cabelos, ele ergue uma de suas mãos ficando no aguardo da saída daquele dragão monstruoso, como o dragão não saía o menino resolveu ser o bravo e mesmo inseguro, ele, passo a passo caminha para a entrada caverna. O vento ficava mais forte e seus olhinhos já estavam úmidos das gotículas das ondas, até que ele entra. De repente um grito corta o gruído e o menino é segurado firmemente em seu braço por sua mãe. Ela ajoelha e o abraça bem apertado e com muito carinho, ele apenas diz: - Mamãe eu só queria matar o dragão, quem sabe mamãe ele nem é tão mau assim, pois ele só faz barulho e nunca saí para nos atacar, será que ele não quer ser meu amigo? Sua mãe o pega no colo e voltam para casa. 


Os pais de Joaquim entendem que por mais que a infância seja perfeita, tem um momento em que a realidade é necessária, mesmo que amadureça os sonhos, a imaginação e a fantasia.


Re Aquino

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