quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Viajante



Sebastião estava na cidade grande, pois queria tentar a vida, achando que daria algo de melhor a sua mãe que morava em sua casinha no sertão. Era ainda moço, e medo, isso ele não tinha. Mas ele se sentia cansado e com saudade de sua terra, de suas raízes e de sua mãe. Dez anos se passara e ele com tudo que juntou, resolveu seguir de volta para sua casa.

Na estrada de volta para sua terra, Sebastião conheceu várias pessoas, uma delas fora uma família que perdera tudo depois de uma tempestade, só tinha apenas um teto construído pelas mãos de um pai que com muitos esforços lutava para que tudo fosse reconstruído. Sebastião comovido com os esforços daquela família tão unida, deixou uma parte do que tinha, era pouco, mas ajudaria bastante.

Logo ele continuou sua viagem e logo avistou uma casa iluminada, algumas árvores ao redor, ele meio sem forças por ter caminhado muito aquele dia, vai naquela direção, era um casal que à muito tempo não via seus filhos e netos, estavam muito tristes, então acolheram o viajante, deram de comer e beber, e como forma de agradecimento, o moço deixou sua alegria para que aquele casal não sentisse mais a forte saudade de seus filhos e netos.

No dia seguinte o viajante continua sua jornada. Foi quando resolveu pedir um pouco d’água a uma senhora em frente a uma casa, era uma senhora muito velhinha. Ele pede um capo d’água e com um pouco de conversa a velhinha conta que seu marido estava muito doente e acamado, não conseguia mais arar a terra, nem colher os alimentos. O viajante então lavrou a terra, colheu os frutos e deixou para aquele casal sua juventude, para que eles tivessem fôlego para sobreviver.

Já meio cansado, o viajante já não tinha mais aspecto como tal.

Ele encontra outra casa, com muito luxo, carros na porta, e foi então que ele pede ajuda, um pouco de água, roupas para ajustar naquele novo corpo que estava mais magro e alimentos. Aquele homem que morava só naquela casa cheia de luxo não se negou a ajudá-lo, então o viajante agradeceu pela hospitalidade e diz aquele homem que havia praticado um ato muito nobre, mas o homem declara que não poderia ajudar mais as pessoas por muito mais tempo, pois sua saúde estava muito debilitada e não teria muito tempo de vida, foi então como forma de agradecimento que o viajante deixou para aquele homem sua saúde, doou um de seus rins para aquele homem.


Quando o viajante não tinha mais forças de muito caminhar e de deixar um pouco de si para cada uma daquelas pessoas, foi então que ele se depara com uma casinha pequena e simples, e de repente ele não enxerga mais nada e cai ao chão. Uma senhora o encontra e o leva para casa, o coloca em uma cama e espera ele acordar. Depois de algumas horas aquele viajante desperta ainda muito fraco e sorrir para aquela moça, e em seus olhos as lágrimas escorrem, pois se lembrou de alguns momentos que viveu antes de ir para cidade grande. Ele estava muito fraco e com a respiração muito lenta, mas pergunta aquela senhora, por quê daquele olhar triste, e ela fala: - Meu senhor, meu filho partiu há mais ou menos dez anos e nunca mais o vi, não tenho mais esperanças de que ainda vive, meu coração dói muito.

Ela então pega um pano úmido e passa no rosto empoeirado daquele rapaz.


O viajante suspira e entrega para aquela mulher sua esperança.

Porém de repente ele sente sua mão ser apertada e ouve o choro daquela mulher, logo ele novamente suspira e desperta daquele corpo envelhecido. A moça solta sua mão e corre para fora de casa gritando: - Meu filho voltou.


O viajante deixou um pouco de si para cada um por onde passou, e levou para si um pouco de cada um, foi então que conseguiu retornar para sua casa e trazer o que nunca havia deixado, a esperança.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Passarinho


Vem sempre a minha janela, o que quer buscar?
Descanso para suas asas ou somente fica a me observar?
Nunca passa do limite do mármore e quando tento aproximar-me, você voa, fazendo-me imaginar se no dia seguinte irá voltar.
Por que não entra Passarinho?
Por que não pousa no meu braço para descansar?
Permita que eu te toque, acaricie seu peito e te alimente.
Deixa eu te conhecer, saber suas histórias contadas em marcas que traz com o tempo e a luta diária pela vida.
Passarinho cante sua melodia e faça trêmulo meu coração.
Não tenha medo do embalo do meu braço, não há nada em minhas mãos, não cortarei suas penas e a janela ficará sempre aberta, pois não quero deixar de vê-lo voar.
Seja livre Passarinho, mas não deixes de voltar.

Re Aquino



quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Vida Não é Fácil



No caminho de casa voltando da escola, João é espancado por seu irmão mais velho, pois havia dito que contaria a sua mãe que o mesmo havia furtado uma caneta da professora.


Ao chegar em casa meio machucado pela agressão, foi até sua mãe para contar que seu irmão a caminho de casa o havia agredido, sua mãe imediatamente pega seu chinelo e diz:


- João essa é para você aprender a não ser dedo duro, que coisa feia!!


João entra em seu quarto e no dia seguinte ao chega à escola, se depara com a professora, que repara sua tristeza e seus machucados e ela pergunta o que houve. João então suspira e diz:


- Professora, ontem no caminho de casa disse a meu irmão que iria contar para mamãe que ele havia furtado sua caneta e ele me espancou, quando cheguei em casa fui contar para mamãe e ela me bateu por eu contar o que meu irmão tinha feito. A professora olhou para o João abaixou próximo ao garoto e diz: - Que coisa feia João, como pode falar assim da sua mãe, ela que te carregou durante 9 meses... João a interrompe e diz: - Não professora! Foram 7 meses... Então a professora bravamente fala: - João você está me respondendo? Já pra sala do diretor!


João com sua mochila sai de cabeça baixa e vai até a sala do diretor, chegando lá o diretor pergunta o que houve. João então tenta se explicar, e percebe que o diretor fica com uma cara muito esquisita, com uma das sobrancelhas levantadas e João para a explicação e logo diz:


- Bem diretor, o negocio é o seguinte, ontem peguei a caneta da professora sem ela saber, surrei meu irmão pq ele ia contar para minha mãe e quando cheguei em casa disse a ela que meu irmão era dedo duro, chegando na escola falei mal da minha mãe pra professora e ela me mandou para cá...


O diretor então olha para João e logo diz:


- Aha! Você me lembrou de quando eu era criança, mas não faça mais isso, volte pra sala e lembre-se seja bonzinho!!

Re Aquino

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A Secretária


     Joana foi promovida em sua empresa, de telefonista a secretária executiva, sua sala  dava acesso diretamente à do seu chefe, um homem muito discreto, na faixa dos seus 40 anos, com um grande potencial empresarial.
             Joana todos os dias ao chegar à empresa organizava todas as tarefas do dia e sempre recebia elogios do seu chefe. Um dia ao chegar à empresa Joana percebeu que sua mesa havia sido remexida, pouca coisa, mas percebeu que havia um pouco de sujeira sobre a mesma; ela não pensou duas vezes e a limpou.  Durante o dia ela sentiu que estava sendo observada, porém ficou meio tensa, mas deixou pra lá, seguiu achando que era coisa de sua cabeça. No decorrer dos dias ela notou que o clima estava ficando agitado, e isso a incomodava muito, mas ela continuou levando seu trabalho a sério, afinal ela conseguiu esse cargo com muito sacrifício e não deixaria nada  atrapalhar seu plano de carreira na empresa.  
      Um dia Joana estava arrumando seu armário quando  sentiu um movimento atrás dela, então ela que agachada estava levantou-se lentamente, pois  sentiu-se encurralada naquele pequeno espaço. Quando se virou a seguraram fortemente pelo braço, o que a deixou nervosa. Joana tenta sair daquela situação, se debatendo, tentando se livrar daquelas garras sujas e agressivas,  começa a gritar e por fim chama a atenção de todos, conseguindo livrar-se das garras, ela pega um troféu que estava em sua mesa de mármore, que recebeu de premiação pelo maior crescimento anual de preparo de funcionários, e com toda força acerta-lhe a cabeça  em cheio, todos ao redor ficaram aterrorizados pelo episódio ocorrido, ao verem  aquele ser caído ao chão, morto, imóvel, com sua cabeça esfacelada com toda aquela massa espalhada pelo chão, foi então que todos ficaram tensos e  sem entender o porque daquilo. Ainda enfurecida arrasta aquele ser abominável até a janela e o joga para fora do prédio.
      Todos ficam horrorizados pela frieza de Joana e indignados se afastam,  ela chega próximo ao telefone e faz uma chamada:  - Alô, por favor, venha a cobertura, estamos precisando que uma limpeza seja feita imediatamente.
       Do outro lado a pessoa pergunta:  - O que tenho que limpar senhora? Joana respira fundo e responde:  - Matei uma barata que à semanas se escondia na minha sala.

Re Aquino

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Carteiro

Todos dias bem cedo Valdir, o carteiro, entregava suas cartas no mesmo bairro aonde morava. Era um bairro pequeno, arborizado, com muitas flores e pássaros, aonde as pessoas se conheciam e paravam no parque para conversar.
Valdir sempre usava sua bicicleta para fazer suas entregas, pois faria com mais rapidez e ainda restaria tempo de sentar-se no parque para ler um livro, antes de retornar aos correios para entregar seu material.
Um dia de primavera, bem cedo, Valdir ao passar pela Rua das Flores, próximo ao número 44, transversal à rua principal que dava para o parque, avistou uma bela moça de cabelos cacheados, quase alvos, com os olhos amendoados, cheios de vida, observando os pássaros cantando e voando de galho em galho. Por um momento o tempo parou para aquele jovem carteiro que se viu encantado pela jovem na janela. De tão encantado que ficou, ele já não sentia mais o vento deslizando pelo seu rosto, balançando os finos fios do seus cabelos cor de mel, seu coração acelerou, e fixou seus olhos naquela janela até não avista-la mais, então passou por aquela casa aonde ele havia visto a mais rara beleza, que para ele era como óleo em tela aquela que estava na janela.
E todos os dias pela Rua das Flores ele passava, esperando que ali ela estivesse e que um dia o pudesse ver.
Um dia Valdir tirou da bolsa uma carta com o número daquela casa, foi o dia que ele mais esperava, pois quem sabe ela o notasse e também por ele se apaixonasse.
Foi então nesse dia que ele arriscaria toda sua sorte e, foi como se o destino o fizesse de novo menino cheio de felicidade só pelo simples fato de colocar aquela carta. E foi nesse momento que aquela jovem que estava na janela por todos aqueles dias que ele passava, o notou, olhou para ele com um sorriso singelo e o agradeceu apenas com um leve movimento com sua cabeça.
O Carteiro ficou como se o cupido o tivesse flechado. Após este dia ela sempre quando o via acenava e sorria. Mas o Carteiro não se conformava, e sempre se perguntava, o por quê que ela nunca se levantava e o esperava do lado de fora para uma troca de palavras.
Ele já estava triste com a esperança a fugir, se achando apenas um carteiro que nunca poderia um dia naquele coração fazer sua moradia.
Foi então que uma grande encomenda chegou de longe, uma caixa pesada, cheia de selos e grifada, era para aquele endereço, havia um nome feminino no destinatário, seria ela, Miriam? Então ele deixou aquela entrega para ser a ultima, pois em sua bicicleta não teria como carregar. No final da tarde Valdir, o carteiro, foi até os correios e na carona do carro de entregas grandes, seguiu a caminho da Rua das Flores, seria sua ultima tentativa de ouvir aquela moça tão linda por quem ele se apaixonou. O motorista para o carro de entregas em frente à casa, o carteiro desce rápido e junto com o motorista pega aquela caixa e ao entrar por aquele portão que o separava de sua amada, a viu novamente sentada naquela janela encantada, logo a porta se abre e um homem aponta lá de dentro todo sorridente, o carteiro vai perdendo suas forças, seu olhar perdendo o brilho e seu sorriso ficando amarelado, todo desanimo caiu sobre ele naquele momento de frustração, pois havia a possibilidade dela ser comprometida. O carteiro com a voz trêmula por engolir o choro, diz: - Boa tarde. Somos do correio e temos uma entrega para a senhora Miriam. Onde podemos colocar?
O homem então responde: - Olá, Miriam é minha filha, coloque a caixa ali no canto esquerdo da sala, pois vou buscá-la para ela ver o que chegou.
Então o carteiro suspira aliviado daquele homem ser apenas seu pai.
Ainda se recuperando do susto, ele avista a silhueta daquele homem vindo contra a luz, luz que entrava por aquela janela e que o atrapalhava de ver direito, então ele sobrepõe sua mão sobre seus olhos para diminuir a claridade e avista o pai daquela jovem a trazendo em seus braços. Logo o carteiro novamente por um segundo congelou suas reações, tentando entender ou explicar a si mesmo todos os pensamentos que teve durante todos aqueles dias em que imaginava o porquê que ela nunca se levantava e o esperava do lado de fora de sua casa. Neste momento o  silêncio foi quebrado com a voz daquela jovem dizendo:
- Olá seu carteiro, sabia que um dia deixaria de apenas acenar. Esperava que um dia alguma encomenda grande chegasse para que você aqui entrasse e então eu pudesse saber o seu nome.
O carteiro então sorrir ainda trêmulo e quase ainda sem voz diz: -Valdir, meu nome é Valdir.
O pai então rasga os lacres da caixa, corta o papelão com a ajuda de Valdir e tira lá de dentro, em meio as bolinhas de isopor, uma cadeira, não de balanço, mas aquela que a faria sair todos os dias de casa para passear no jardim, não esperando mais o carteiro entregar suas carta, mas esperando aquele que se tornou seu grande amor.

Re Aquino