Todos dias bem cedo Valdir, o carteiro,
entregava suas cartas no mesmo bairro aonde morava. Era um bairro pequeno, arborizado,
com muitas flores e pássaros, aonde as pessoas se conheciam e paravam no parque
para conversar.
Valdir
sempre usava sua bicicleta para fazer suas entregas, pois faria com mais
rapidez e ainda restaria tempo de sentar-se no parque para ler um livro, antes de retornar
aos correios para entregar seu material.
Um
dia de primavera, bem cedo, Valdir ao passar
pela Rua das Flores, próximo ao número 44, transversal à rua principal
que dava
para o parque, avistou uma bela moça de cabelos cacheados, quase alvos,
com os
olhos amendoados, cheios de vida, observando os pássaros cantando e
voando de
galho em galho. Por um momento o tempo parou para aquele jovem carteiro
que se
viu encantado pela jovem na janela. De tão encantado que ficou, ele já
não sentia mais o vento deslizando
pelo seu rosto, balançando os finos fios do seus cabelos cor de mel, seu
coração
acelerou, e fixou seus olhos naquela janela até não avista-la mais,
então passou por aquela casa aonde ele havia visto a mais rara
beleza, que para ele era como óleo em tela aquela que estava na janela.
E todos os dias pela Rua das Flores ele
passava, esperando que ali ela estivesse e que um dia o pudesse ver.
Um dia Valdir tirou da bolsa uma carta com o número daquela casa, foi o dia que ele mais
esperava, pois quem sabe ela o notasse e também por ele se apaixonasse.
Foi
então nesse dia que ele arriscaria toda sua sorte e, foi como se o
destino o fizesse de novo menino cheio
de felicidade só pelo simples fato de colocar aquela carta. E foi nesse
momento que aquela jovem que estava na janela por todos aqueles dias que
ele passava, o notou, olhou para ele com um
sorriso singelo e o agradeceu apenas com um leve movimento com sua
cabeça.
O Carteiro ficou como se o cupido o tivesse flechado. Após este dia ela sempre quando o via
acenava e sorria. Mas o Carteiro não se conformava, e sempre se perguntava, o por quê que ela nunca se
levantava e o esperava do lado de fora para uma troca de palavras.
Ele já estava triste com a esperança a fugir,
se achando apenas um carteiro que nunca poderia um dia naquele coração fazer
sua moradia.
Foi então que uma grande encomenda chegou de
longe, uma caixa pesada, cheia de selos e grifada, era para aquele endereço, havia
um nome feminino no destinatário, seria ela, Miriam? Então ele deixou aquela
entrega para ser a ultima, pois em sua bicicleta não teria como carregar. No
final da tarde Valdir, o carteiro, foi até os correios e na carona do carro de
entregas grandes, seguiu a caminho da Rua das Flores, seria sua ultima tentativa
de ouvir aquela moça tão linda por quem ele se apaixonou. O motorista para o
carro de entregas em frente à casa, o carteiro desce rápido e junto com o
motorista pega aquela caixa e ao entrar por aquele portão que o separava de
sua amada, a viu novamente sentada naquela janela encantada, logo a porta se
abre e um homem aponta lá de dentro todo sorridente, o carteiro vai
perdendo suas forças, seu olhar perdendo o brilho e seu sorriso ficando
amarelado, todo desanimo caiu sobre ele naquele momento de
frustração, pois havia a possibilidade dela ser comprometida. O carteiro com a voz trêmula por
engolir o choro, diz: - Boa tarde. Somos do correio e temos uma entrega para
a senhora Miriam. Onde podemos colocar?
O homem então responde: - Olá, Miriam é
minha filha, coloque a caixa ali no canto esquerdo da sala, pois vou buscá-la
para ela ver o que chegou.
Então o carteiro suspira aliviado daquele
homem ser apenas seu pai.
Ainda
se recuperando do susto, ele avista a
silhueta daquele homem vindo contra a luz, luz que entrava por aquela
janela e que o atrapalhava de ver direito, então ele sobrepõe sua mão
sobre seus olhos para diminuir a claridade e avista o pai daquela jovem a
trazendo em seus braços. Logo o carteiro novamente por um segundo
congelou suas reações, tentando entender ou explicar a si mesmo todos os
pensamentos que teve durante todos aqueles dias em que imaginava o
porquê que ela nunca
se levantava e o esperava do lado de fora de sua casa. Neste momento o
silêncio foi quebrado com a voz daquela jovem dizendo:
-
Olá seu carteiro, sabia que um dia deixaria de apenas acenar. Esperava
que um dia alguma encomenda grande chegasse para que você aqui entrasse e
então eu pudesse saber o seu nome.
O carteiro então sorrir ainda trêmulo e quase ainda sem voz diz: -Valdir, meu nome é Valdir.
O
pai então rasga os lacres da caixa,
corta o papelão com a ajuda de Valdir e tira lá de dentro, em meio as
bolinhas de isopor, uma cadeira, não de balanço, mas aquela que a faria
sair todos os dias
de casa para passear no jardim, não esperando mais o carteiro entregar suas
carta, mas esperando aquele que se tornou seu grande amor.
Re Aquino
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